Projeto prevê retirada de vegetação em 5.934,66 hectares de propriedade localizada entre Bodoquena e Miranda
O processo de licenciamento ambiental para a supressão de 5.934,66 hectares de vegetação na Fazenda Campanário, localizada entre os municípios de Bodoquena e Miranda, será submetido a discussão pública neste mês. A audiência será conduzida pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e terá como foco o projeto de expansão das atividades agropecuárias da propriedade.
O encontro está previsto para o dia 24, a partir das 19h, na Câmara Municipal de Bodoquena, com possibilidade de acompanhamento pela internet. Durante a audiência, serão apresentados o empreendimento, o Relatório de Impacto Ambiental (Rima), os impactos previstos e as medidas ambientais propostas para reduzir ou compensar os efeitos da intervenção.
A Fazenda Campanário pertence à Agro H.B. S/A e possui área total de 15.611,48 hectares. Segundo o projeto apresentado, a expansão pretende ampliar a capacidade produtiva da propriedade, especialmente nas atividades de bovinocultura de corte e no cultivo de lavouras temporárias.
A empresa afirma que a diversificação poderá contribuir para o fortalecimento da cadeia produtiva regional, aumento da arrecadação municipal e expansão das atividades ligadas ao agronegócio.
Supressão será feita de forma escalonada
De acordo com o projeto, a retirada da vegetação não ocorrerá de maneira integral e simultânea. A intervenção está prevista para ser realizada em áreas não contínuas e distribuída ao longo de quatro anos.
O planejamento ambiental apresentado inclui ações destinadas à proteção da fauna, conservação do solo e dos recursos hídricos e acompanhamento permanente das áreas afetadas.
Entre as medidas previstas estão o afugentamento e eventual resgate de animais antes e durante as atividades, monitoramento da fauna, controle de processos erosivos, drenagem adequada e preservação das Áreas de Preservação Permanente.
O relatório também prevê ações de educação ambiental e capacitação dos trabalhadores envolvidos na operação.
Impactos ambientais
O próprio estudo identifica impactos decorrentes da supressão vegetal. Entre eles estão a alteração da cobertura vegetal, o deslocamento temporário da fauna, a exposição do solo e o consequente aumento do risco de erosão e assoreamento caso as medidas de controle não sejam implementadas adequadamente.
Também estão previstos impactos relacionados à circulação de máquinas, como emissão de poeira, ruídos e gases.
A audiência pública terá justamente a função de apresentar essas informações à sociedade e permitir a manifestação dos interessados antes do avanço do processo de licenciamento.
A discussão ocorre em uma área de grande relevância ambiental e econômica para Mato Grosso do Sul, colocando em debate a necessidade de conciliar expansão produtiva, conservação dos recursos naturais e cumprimento das exigências ambientais.
O processo ainda depende da análise dos órgãos competentes e das etapas previstas no licenciamento ambiental.
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