Riedel descarta nova intervenção na Santa Casa e defende profissionalização da gestão

Governo Saúde

Governador afirma que hospital precisa ampliar transparência, produtividade e controle sobre recursos públicos

O governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, afirmou que uma nova intervenção na Santa Casa de Campo Grande não seria, em sua avaliação, a solução para a crise financeira enfrentada pela instituição.

A declaração foi dada durante a primeira edição do projeto Frente a Frente, série de entrevistas com candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul.

Riedel afirmou que a Santa Casa possui um passivo estimado em aproximadamente R$ 600 milhões e defendeu a adoção de mecanismos de gestão profissional, transparência e aumento da produtividade como condicionantes para a ampliação dos repasses públicos.

Segundo o governador, o Estado destinou R$ 98 milhões à instituição em 2024 e R$ 149 milhões em 2025. Em 2026, até agosto, os repasses somavam R$ 106 milhões, com previsão de chegar perto de R$ 190 milhões até o final do ano.

Riedel afirmou que o Estado continuará apoiando a Santa Casa, mas ressaltou que a aplicação dos recursos públicos precisa ser acompanhada de resultados e transparência.

Intervenção

Questionado sobre a possibilidade de uma nova intervenção após as recentes denúncias envolvendo a instituição, o governador afirmou ser contrário à medida.

Segundo Riedel, a relação contratual da Santa Casa é de responsabilidade do município, e uma intervenção envolveria questões jurídicas, administrativas e financeiras que ultrapassariam a atuação isolada do Governo do Estado.

Ele defendeu que a solução seja construída dentro da própria instituição, com participação do conselho de administração e profissionalização da gestão.

O governador também afirmou que a crise financeira não seria recente e que é necessário compreender a origem do passivo para construir uma alternativa sustentável.

Outros temas

Durante a entrevista, Riedel também abordou incentivos fiscais, geração de empregos, expansão da indústria de celulose, educação, segurança pública e saúde regional.

Sobre incentivos fiscais, defendeu a manutenção da política atualmente adotada pelo Estado e afirmou que a administração precisa priorizar a qualidade do gasto público antes de buscar novas receitas.

Na área da saúde, apontou Corumbá e Ladário como a região que ainda necessita de maior estrutura de média e alta complexidade e citou a construção de um hospital regional.

Sobre violência contra a mulher, anunciou a intenção de incluir o tema na grade escolar a partir do próximo ano.

Em relação aos conflitos fundiários envolvendo produtores rurais e comunidades indígenas, defendeu a aquisição de áreas como uma das alternativas para enfrentar disputas historicas.

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