Sistema baseado em inteligência artificial permite identificar ocorrências em poucos minutos e amplia capacidade de resposta durante período de maior risco
O combate aos incêndios florestais em Mato Grosso do Sul ganhou um novo aliado tecnológico. O uso de inteligência artificial para identificar focos de fogo permite acelerar a comunicação das ocorrências e dar às equipes de emergência uma janela maior para agir antes que pequenas queimadas evoluam para incêndios de grandes proporções.
A tecnologia integra o conjunto de ferramentas utilizadas no monitoramento ambiental e ganhou espaço diante da preocupação com a temporada de fogo de 2026. O chamado Sistema Pantera teve sua utilização ampliada no Estado neste ano.
A principal vantagem está na velocidade. A ferramenta consegue apontar possíveis focos de incêndio em até aproximadamente cinco minutos, reduzindo o intervalo entre a identificação do problema e o acionamento das equipes responsáveis pelo combate.
A rapidez é especialmente importante em regiões de vegetação seca, onde as chamas podem avançar rapidamente impulsionadas pelo vento, pelas altas temperaturas e pela baixa umidade.
Clima aumenta preocupação
A ampliação do monitoramento ocorre em um cenário de atenção climática. Projeções meteorológicas indicam possibilidade de formação de El Niño no segundo semestre de 2026, período que coincide com uma das fases mais sensíveis para incêndios em Mato Grosso do Sul.
Uma nota técnica elaborada por órgãos como INPE, INMET, Funceme e Censipam apontou probabilidade superior a 80% de configuração do fenômeno ao longo do segundo semestre, embora a intensidade ainda não estivesse definida.
No Estado, o risco está relacionado principalmente à combinação de temperaturas elevadas, baixa umidade e vegetação ressecada durante a transição entre o período seco e o retorno mais consistente das chuvas.
A preocupação não é apenas teórica. Mato Grosso do Sul carrega o histórico de temporadas severas de incêndios, sobretudo no Pantanal. Em 2020, cerca de 1,8 milhão de hectares do bioma foram atingidos pelo fogo dentro do território sul-mato-grossense. Em 2024, aproximadamente 1,7 milhão de hectares do Pantanal no Estado foram queimados, segundo os dados citados no levantamento sobre o cenário de risco.
Monitoramento aliado à prevenção
A inteligência artificial não substitui o trabalho das equipes de campo. A proposta é justamente fornecer informação mais rápida para orientar decisões operacionais.
O Estado também trabalha com reforço de efetivo, equipamentos, bases avançadas e integração entre diferentes instituições envolvidas na prevenção e no combate aos incêndios.
O Plano Estadual de Manejo Integrado do Fogo prevê a mobilização de até 170 militares dedicados às ações de combate, além da atuação conjunta com brigadas, municípios, órgãos ambientais e outras forças de apoio. Também estão previstas bases avançadas em áreas consideradas estratégicas e de difícil acesso.
Com o avanço da tecnologia, a estratégia deixa de depender exclusivamente da percepção humana ou da chegada de informações após a propagação das chamas. O objetivo passa a ser identificar o fogo ainda em estágio inicial, encurtando o tempo de resposta e aumentando as possibilidades de controle.
Em uma temporada marcada por condições climáticas potencialmente adversas, a combinação entre inteligência artificial, monitoramento por satélite, planejamento operacional e presença em campo passa a ser uma das principais ferramentas para reduzir o impacto dos incêndios florestais em Mato Grosso do Sul.
What do you feel about this post?
Like
Love
Happy
Haha
Sad

