Campo Grande amplia castrações e atendimento veterinário para conter abandono de animais

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Estratégia municipal aposta na prevenção, atendimento descentralizado e controle populacional para reduzir o número de cães e gatos abandonados nas ruas

Campo Grande vem ampliando a política pública de proteção e bem-estar animal com foco principalmente na prevenção do abandono. A estratégia adotada pelo município combina castração, vacinação, consultas, microchipagem e atendimento veterinário itinerante, buscando reduzir a reprodução descontrolada de cães e gatos e, consequentemente, a quantidade de animais que acabam nas ruas.

Uma das principais iniciativas é o consultório veterinário móvel instalado em um ônibus adaptado. A estrutura conta com dois consultórios e percorre diferentes regiões da Capital, priorizando bairros onde há maior concentração de animais e dificuldade de acesso aos serviços oferecidos na região central.

De acordo com a Subsecretaria do Bem-Estar Animal (Subea), a unidade permanece aproximadamente uma semana em cada localidade. A estimativa é de que o serviço consiga atender entre 2 mil e 2,5 mil animais por ano, oferecendo consultas, vacinação e encaminhamentos para procedimentos de castração.

A descentralização é considerada estratégica porque aproxima o serviço público de moradores que enfrentam dificuldades para transportar seus animais até unidades fixas. A iniciativa foi inspirada em experiência desenvolvida em Campinas (SP) e é apresentada pela administração municipal como uma ferramenta de ampliação do acesso à assistência veterinária.

Castração como eixo da política

A castração ocupa posição central na estratégia municipal. O procedimento começou a ser oferecido pelo poder público em 2021, inicialmente com cerca de 600 vagas mensais. Desde então, a capacidade foi ampliada gradualmente e chegou à marca aproximada de 20 mil castrações por ano.

A lógica é atuar antes que o problema chegue às ruas. Ao reduzir a reprodução, o município busca diminuir a quantidade de animais que podem nascer sem condições adequadas de cuidado e que, posteriormente, acabam abandonados.

A Subea sustenta que a prevenção é mais eficiente no longo prazo do que simplesmente ampliar estruturas de acolhimento.

Rede de proteção ainda enfrenta limitações

Apesar da expansão dos serviços públicos, o acolhimento de animais já abandonados continua sendo um dos principais desafios. Organizações não governamentais e protetores independentes assumem grande parte dessa responsabilidade, recebendo animais vítimas de abandono, maus-tratos ou encontrados em condições inadequadas.

O cenário cria uma divisão de responsabilidades: enquanto o município concentra esforços em impedir que novos animais cheguem às ruas, a rede formada por ONGs e voluntários absorve grande parte da demanda existente.

A Subea também demonstra cautela em relação à criação de um grande abrigo municipal. Segundo a avaliação da pasta, experiências de outros municípios mostram que estruturas desse tipo podem se transformar em locais de acúmulo permanente de animais caso não sejam acompanhadas de políticas de adoção, controle populacional e prevenção.

Nesse contexto, Campo Grande aposta em uma política de intervenção antecipada: quanto maior a capacidade de castrar, vacinar e oferecer atendimento veterinário próximo da população, menor tende a ser a pressão futura sobre as organizações responsáveis pelo acolhimento.

A estratégia, contudo, não elimina a necessidade de fortalecer a rede de proteção. O desafio permanece em equilibrar prevenção, assistência veterinária, fiscalização contra maus-tratos, adoção responsável e acolhimento dos animais que já se encontram em situação de vulnerabilidade.

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