Arauco investe US$ 4,6 bilhões em megafábrica de celulose que transforma Inocência e amplia protagonismo de MS no mercado global

Agronegócio Economia

Projeto Sucuriú é o maior investimento da história da multinacional chilena e prevê produção de 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano, geração de milhares de empregos e produção de energia renovável

O município de Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul, está no centro de um dos maiores projetos industriais atualmente em construção no Brasil. A multinacional chilena Arauco investe aproximadamente US$ 4,6 bilhões na implantação do Projeto Sucuriú, empreendimento que dará origem à primeira fábrica de celulose da companhia em território brasileiro.

O investimento, considerado o maior da história da Arauco, prevê uma unidade industrial com capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano. A fábrica está sendo construída em uma área de aproximadamente 3,5 mil hectares, próxima ao Rio Sucuriú e a cerca de 50 quilômetros do centro de Inocência.

O tamanho do empreendimento coloca uma pequena cidade sul-mato-grossense no mapa dos grandes investimentos industriais internacionais e reforça a posição do Estado como um dos principais polos brasileiros de produção de celulose.

Uma fábrica de escala mundial

O Projeto Sucuriú foi concebido para ser uma das maiores e mais modernas unidades de produção de celulose do mundo.

A planta terá capacidade de 3,5 milhões de toneladas anuais e incorporará automação avançada, conectividade e tecnologias associadas à chamada Indústria 4.0.

A proposta é integrar diferentes etapas da produção, desde o processamento da madeira até o controle de qualidade da celulose, utilizando sistemas automatizados para aumentar a eficiência operacional, reduzir desperdícios e otimizar o uso dos recursos.

A dimensão da fábrica também aparece na infraestrutura energética.

O complexo deverá gerar mais de 400 megawatts de eletricidade, dos quais aproximadamente 200 MW serão utilizados pela própria unidade industrial. O excedente será destinado ao sistema elétrico nacional e, segundo a companhia, terá capacidade equivalente ao consumo de uma cidade com mais de 800 mil habitantes.

Na prática, a fábrica será capaz de produzir não apenas celulose, mas também uma quantidade significativa de energia renovável a partir dos próprios resíduos e subprodutos do processo industrial.

Obra já movimentou milhares de trabalhadores

O impacto do empreendimento já pode ser observado antes mesmo do início da operação.

Durante o período de construção, o projeto prevê a geração de mais de 14 mil oportunidades de trabalho, incluindo empregos diretos, indiretos e atividades relacionadas à cadeia de fornecedores e serviços.

Após a entrada em funcionamento, a estimativa é de aproximadamente 6 mil empregos relacionados às áreas industrial, florestal e logística.

O número é expressivo para uma cidade cuja população é inferior a 10 mil habitantes.

Informações recentes apontam que o canteiro já chegou a mobilizar cerca de 14 mil trabalhadores, número superior à população de Inocência. A obra também já ultrapassou 70% de execução física, segundo informações divulgadas no fim de agosto de 2026.

Ferrovia própria será parte da estratégia logística

Outro componente estratégico do projeto é a infraestrutura criada para transportar a produção.

A Arauco está implantando uma estrutura ferroviária própria para conectar o complexo industrial à logística de exportação. O projeto prevê uma ferrovia de aproximadamente 54 quilômetros, além de uma frota composta por locomotivas e vagões destinados ao transporte da celulose.

A estratégia é reduzir a dependência do transporte exclusivamente rodoviário e facilitar o deslocamento da produção até a estrutura portuária em Santos.

A logística é considerada um dos pontos fundamentais para a competitividade de uma fábrica dessa escala, já que milhões de toneladas de celulose precisarão ser transportadas anualmente para os mercados consumidores.

Em 2026, a Arauco também avançou na estrutura logística e começou a receber os primeiros vagões e tritrens destinados à operação do Projeto Sucuriú.

Projeto muda a economia de Inocência

O impacto econômico do empreendimento vai muito além dos empregos diretamente ligados à fábrica.

A chegada de um investimento dessa magnitude tende a provocar aumento na demanda por serviços, comércio, hospedagem, alimentação, transporte, construção civil, manutenção industrial e fornecedores especializados.

A própria Arauco prevê impactos relacionados ao aumento da renda e da arrecadação de impostos, além da atração de novos investimentos para a região.

O desafio, entretanto, é administrar o crescimento de uma cidade de pequeno porte diante de uma transformação econômica de proporções muito maiores.

Para isso, a companhia anunciou um Plano Estratégico Socioambiental de R$ 85 milhões, estruturado em parceria com governos municipal e estadual.

O plano contempla nove áreas consideradas estratégicas: saúde, segurança pública, assistência social, educação, economia, trabalho e renda, transporte, saneamento, habitação, ordenamento territorial e conservação ambiental.

Tecnologia e sustentabilidade no centro do projeto

A Arauco também apresenta o Projeto Sucuriú como uma unidade baseada em eficiência energética e aproveitamento de recursos.

A planta contará com uma das maiores estruturas de recuperação química da indústria de celulose e com sistemas destinados à geração de energia a partir de biomassa e resíduos do processo industrial.

Entre as tecnologias previstas está uma planta de gaseificação destinada à produção de biocombustível para os fornos de cal.

O modelo busca ampliar a autossuficiência energética da fábrica e reduzir a necessidade de utilização de combustíveis fósseis na operação.

Impacto ambiental é parte central do empreendimento

Por se tratar de uma instalação industrial de grande porte, o projeto também envolve uma série de exigências ambientais e medidas de mitigação.

A empresa informa que monitora a biodiversidade da região, com identificação de espécies de fauna e flora e mapeamento de áreas consideradas prioritárias para conservação.

A questão ambiental é particularmente relevante porque o empreendimento está inserido em uma região de forte expansão da atividade florestal.

A produção de celulose depende de uma extensa base de madeira de eucalipto, o que exige planejamento de longo prazo para garantir o abastecimento da fábrica sem comprometer as exigências ambientais e regulatórias.

Financiamento internacional reforça dimensão do projeto

A dimensão econômica do Projeto Sucuriú também pode ser medida pelo financiamento internacional envolvido.

Em 2025, a IFC, integrante do Grupo Banco Mundial, o BID Invest, a Finnvera e um consórcio de bancos internacionais anunciaram apoio financeiro ao empreendimento.

O pacote alcançou US$ 2,2 bilhões, incluindo US$ 1,25 bilhão em financiamento liderado pela IFC e pelo BID Invest e US$ 970 milhões em financiamento de agência de crédito à exportação garantido pela Finnvera.

O envolvimento de instituições financeiras internacionais demonstra a dimensão estratégica atribuída ao empreendimento e também coloca o projeto sob padrões internacionais relacionados a desempenho ambiental, sustentabilidade e governança.

De projeto anunciado a uma transformação econômica

O Projeto Sucuriú começou a ganhar forma ainda em 2022, quando a Arauco assinou acordo com o Governo de Mato Grosso do Sul para estudar a implantação da fábrica.

Naquele momento, o investimento projetado era de US$ 3 bilhões e a capacidade estimada era de 2,5 milhões de toneladas anuais.

O projeto, entretanto, cresceu significativamente até chegar à configuração atual, com investimento de US$ 4,6 bilhões e capacidade de 3,5 milhões de toneladas por ano.

Em setembro de 2024, o Conselho de Administração da Arauco aprovou definitivamente a construção da fábrica e escolheu a empresa finlandesa Valmet como parceira tecnológica para a implantação da linha de produção.

A pedra fundamental foi lançada em abril de 2025, e a obra avançou para a fase de montagem eletromecânica no ano seguinte. Em agosto de 2026, a execução física já havia superado 70%.

Quando a fábrica começa a funcionar?

A previsão divulgada pela Arauco aponta para o início da operação entre o fim de 2027 e o primeiro trimestre de 2028, dependendo da referência e da atualização do cronograma utilizada.

Informações mais recentes indicam que a empresa trabalha com a operação da unidade para o segundo semestre de 2027, enquanto outras comunicações apontam para o primeiro trimestre de 2028. Por isso, a data definitiva deverá ser acompanhada conforme o avanço das etapas finais de construção e comissionamento.

Independentemente da data exata, o impacto econômico do projeto já começou a ser sentido.

MS se consolida como potência da celulose

A instalação da Arauco em Inocência ocorre em um momento de forte expansão da indústria de celulose em Mato Grosso do Sul.

O Estado já abriga grandes operações do setor e vem atraindo investimentos bilionários em novas fábricas, infraestrutura ferroviária, florestas plantadas e logística de exportação.

O Projeto Sucuriú acrescenta uma nova dimensão a esse cenário.

Quando estiver plenamente operacional, a unidade deverá colocar milhões de toneladas de celulose no mercado internacional todos os anos, movimentar uma extensa cadeia logística e industrial e gerar energia excedente para o sistema elétrico brasileiro.

Para Inocência, a transformação é ainda mais significativa: uma cidade de pequeno porte passa a sediar um empreendimento de escala global.

Mais do que uma nova fábrica, o Projeto Sucuriú representa uma mudança estrutural na economia regional e reforça o papel de Mato Grosso do Sul na cadeia mundial de produção de celulose, energia renovável e produtos de base florestal.

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