Os deputados federais Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato, Erika Hilton, Camila Jara e Guilherme Kilter

Convicção nas urnas: jovens são os campeões de voto em 9 estados e chegam à Câmara com recordes

Política

A eleição de 4 de outubro deixou um recado claro: a nova geração não pediu licença para chegar à Câmara dos Deputados. Em 9 dos 27 estados, o deputado federal mais votado tem até 32 anos. No topo do país, dois jovens passaram de 3 milhões de votos cada, marca que nenhum candidato à Câmara havia alcançado.

O que une esses nomes não é o partido. Há campeões no PL, no PT, no PSOL, no Novo, no PSB e no PSD. O ponto em comum é a convicção: são pessoas que defendem, sem rodeio, as pautas em que acreditam, e foi essa firmeza que as levou ao topo de seus estados.

Os recordes

  • Nikolas Ferreira (PL-MG), 30 anos: 3.108.874 votos, a maior votação da história para a Câmara. Bandeira conservadora, com foco em família, costumes e oposição ao governo federal.
  • Lucas Pavanato (PL-SP), 28 anos: 3.038.185 votos. Em 2024, foi eleito vereador de São Paulo com 161.386 votos. Agora superou com folga o antigo recorde paulista, de Eduardo Bolsonaro (1,84 milhão em 2018).
  • Erika Hilton (PSOL-SP), 33 anos: cerca de 1,59 milhão de votos, a mulher mais votada da história da Câmara. Superou a marca de Joice Hasselmann (1,07 milhão em 2018) com uma agenda de direitos humanos, população LGBTQIA+ e fim da escala 6×1.
  • André Fernandes (PL-CE), 28 anos: 681.724 votos, recorde do Ceará. O dono da marca anterior era Ciro Gomes, com 667.830 votos em 2006.

Mato Grosso do Sul: Camila Jara

Em Mato Grosso do Sul, a campeã de votos tem 31 anos. Camila Jara (PT) recebeu 154.157 votos, 10,85% dos válidos, e foi a única eleita da federação Brasil da Esperança no estado.

A trajetória é de quem cresceu defendendo uma causa. Em 2020, ela se tornou a vereadora mais jovem de Campo Grande, com 3.470 votos. Na Câmara, consolidou o mandato com pautas de proteção às mulheres, enfrentamento à violência de gênero e à discriminação, e propôs a renda básica emergencial para famílias vulneráveis.

Paraná: Guilherme Kilter

No Paraná, o fenômeno tem 24 anos. Guilherme Kilter (Novo) foi o segundo deputado federal mais votado do estado, com 269.826 votos. Dois anos atrás, havia sido eleito vereador de Curitiba com 16.664 votos: em uma eleição, multiplicou a votação por 16.

Kilter defende redução máxima de impostos, escolas cívico-militares, ensino sem doutrinação e pautas pró-vida. O mais votado do Paraná também é do Novo: o advogado Jeffrey Chiquini, de 36 anos, com 425.390 votos, maior votação da história do estado.

Os campeões estado por estado

Além de Minas, São Paulo, Ceará e Mato Grosso do Sul, jovens lideraram a votação no Espírito Santo, em Pernambuco, no Piauí, em Alagoas e em Sergipe.

Tabela com os nove deputados federais mais votados de seus estados com até 32 anos: Nikolas Ferreira (MG), Lucas Pavanato (SP), André Fernandes (CE), Lucas Polese (ES), Pedro Campos (PE), Georgiano Neto (PI), Alvinho Lira (AL), Camila Jara (MS) e Yandra Moura (SE).

Lucas Polese (PL-ES), de 29 anos, teve 19,66% dos votos válidos do Espírito Santo, o segundo maior percentual do país. Em Alagoas, Alvinho Lira (PP), de 20 anos, se tornou o deputado federal mais jovem da história do Brasil.

A nova geração além dos campeões

  • Ana Elisa (PT-MG), 21 anos: estudante de Direito, fez 524.216 votos e foi a segunda mais votada de Minas.
  • Sandro Filho (PP-BA), 21 anos: 167.394 votos, o deputado federal mais jovem da história da Bahia. Aos 19, já tinha sido o vereador mais jovem de Salvador.
  • São Paulo: os cinco mais votados do estado (Lucas Pavanato, Erika Hilton, Sâmia Bomfim, Kim Kataguiri e Tabata Amaral) têm menos de 40 anos.

Convicção e sobrenome

Nem todos chegaram ao topo apenas pelas bandeiras. Parte dos jovens campeões carrega sobrenomes conhecidos: Alvinho Lira é filho do ex-presidente da Câmara Arthur Lira; Pedro Campos, do ex-governador Eduardo Campos; Georgiano Neto, de uma senadora; e Yandra Moura vem de família política de Sergipe.

Isso torna ainda mais expressiva a trajetória de quem chegou sem padrinho, como Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato, Erika Hilton, Camila Jara e Guilherme Kilter, que construíram votações a partir das redes sociais, de mandatos municipais e da defesa constante de suas causas.

O que muda

A renovação também apareceu do outro lado da régua. Em São Paulo, nomes históricos como José Dirceu, de 80 anos, e Rui Falcão, de 82, não se elegeram. A partir de 2027, a Câmara terá uma geração que chega com votos de sobra e com a cobrança de transformar convicção em resultado.

Fotos da capa: Pablo Valadares e Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados (CC BY 3.0), Agência Senado (CC BY 2.0), Wikimedia Commons (CC0) e Câmara Municipal de Curitiba (domínio público).

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