PL vira maior bancada de MS na Câmara, PT encolhe e três caras novas chegam a Brasília

PL vira maior bancada de MS na Câmara, PT encolhe e três caras novas chegam a Brasília

Política

Mato Grosso do Sul definiu neste domingo (4) os oito deputados federais que vão representar o Estado na Câmara a partir de fevereiro de 2027. Com 100% das seções totalizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o PL sai das urnas como a maior bancada, com três cadeiras. Republicanos e a federação PP-União Brasil ficam com duas cada, e a federação PT-PCdoB-PV, com uma.

A renovação foi de três vagas em oito (37,5%). Cinco deputados conseguiram a reeleição: Camila Jara (PT), a mais votada do Estado, Marcos Pollon (PL), Rodolfo Nogueira (PL), Beto Pereira (Republicanos) e Dagoberto Nogueira (PP). As novidades são Rose Modesto (União Brasil), que volta à Câmara, Mara Caseiro (PL), que deixa a Assembleia Legislativa, e Isa Marcondes (Republicanos).

O comparecimento foi de 76,12%: 1.539.009 eleitores votaram, de um total de 2.021.869 aptos. Para deputado federal, foram 1.420.762 votos válidos, 81.203 brancos (5,28%) e 37.044 nulos (2,41%).

Os oito eleitos

Deputado(a)PartidoVotosComo entrouSituação
Camila JaraPT154.157Quociente partidárioReeleita
Marcos PollonPL140.129Quociente partidárioReeleito
Rose ModestoUnião Brasil124.409Quociente partidárioVolta à Câmara
Mara CaseiroPL120.199Quociente partidárioNova
Rodolfo NogueiraPL103.303Média (sobras)Reeleito
Beto PereiraRepublicanos77.485Quociente partidárioReeleito
Isa MarcondesRepublicanos76.956Média (sobras)Nova
Dagoberto NogueiraPP56.217Média (sobras)Reeleito

O quociente eleitoral, número de votos que um partido ou federação precisa para garantir uma cadeira, ficou em 177.595. O PL somou 460.340 votos entre nominais e de legenda e garantiu duas vagas direto, mais uma nas sobras. A federação PP-União teve 295.896 votos, o Republicanos 256.685 e a federação liderada pelo PT 249.377.

A última vaga foi decidida no detalhe. Ela ficou com o Republicanos, que levou Isa Marcondes, com média de 128.343 votos. A federação PT-PCdoB-PV ficou logo atrás, com 124.689. Com mais 7.309 votos, a federação teria tomado essa cadeira, e quem entraria seria Marquinhos Trad (PV), o segundo mais votado do grupo.

No campo político, o resultado consolida a direita e a centro-direita: PL, Republicanos e a federação PP-União ocupam sete das oito cadeiras. O PT, que tinha dois deputados (Camila Jara e Vander Loubet), fica com uma só. Vander disputou o Senado e não se elegeu, com 361.920 votos (13,88%).

Ranking dos candidatos a deputado federal em MS

Renovação: três cadeiras mudam de mão

A bancada que sai tinha Camila Jara, Vander Loubet, Marcos Pollon, Rodolfo Nogueira, Beto Pereira, Dagoberto Nogueira, Geraldo Resende e Luiz Ovando. Três desses lugares agora têm novos ocupantes.

  • Rose Modesto (União Brasil), 124.409 votos. Terceira mais votada do Estado, ela volta à Câmara, onde já teve mandato. Puxou a federação PP-União e garantiu sozinha a primeira vaga do grupo.
  • Mara Caseiro (PL), 120.199 votos. Troca a Assembleia Legislativa pela Câmara e entra direto pelo quociente, como segunda mais votada do PL.
  • Isa Marcondes (Republicanos), 76.956 votos. Estreia na Câmara e ficou apenas 529 votos atrás de Beto Pereira, o mais votado do partido.

Camila Jara foi a campeã de votos, com 154.157 (10,85% dos válidos). Marcos Pollon, com 140.129, foi o mais votado do PL.

As decepções: quem ficou pelo caminho

Dois deputados que buscavam a reeleição ficaram de fora, e alguns nomes com muito voto não chegaram lá por causa da conta das legendas.

  • Jaime Verruck (Republicanos), 49.585 votos. Nono mais votado do Estado, é o primeiro suplente do partido. O Republicanos fez duas vagas, e os dois colegas de chapa tiveram mais votos.
  • Viviane Luiza (PSDB), 45.083 votos. Décima mais votada do Estado, esbarrou na legenda: a federação PSDB-Cidadania somou 98.503 votos. Para disputar as sobras, precisava de 80% do quociente, ou 142.076. Ficou 43.573 votos abaixo da barreira, e o PSDB sai sem nenhum deputado federal por MS.
  • Cassy Monteiro (PL), 44.865 votos. Primeira suplente do PL, que esgotou suas três vagas com Pollon, Mara e Rodolfo.
  • Dr. Luiz Ovando (PP), 34.679 votos. Deputado no exercício do mandato, perdeu a vaga da federação para Dagoberto Nogueira, que teve 56.217.
  • Geraldo Resende (União Brasil), 31.714 votos. Outro deputado no exercício do mandato, ficou como suplente atrás de Rose Modesto e Dagoberto.
  • Marquinhos Trad (PV), 31.382 votos. O ex-prefeito de Campo Grande foi o segundo mais votado da federação liderada pelo PT, que fez só uma cadeira. Como mostrado acima, faltaram 7.309 votos à federação para levá-lo.
  • Roberto Hashioka (Republicanos), 17.490 votos. Deputado estadual, tentou subir para a Câmara e ficou na suplência.
Votos por partido e federação e a barreira de 80% do quociente

O fator Jamilson Name não mexe na Câmara

A disputa judicial em torno de Jamilson Name (PP) não tem efeito sobre a bancada federal. Ele concorreu a deputado estadual, e cada cargo tem sua própria conta de votos válidos, quociente e sobras. Os 35.211 votos dele estão na eleição para a Assembleia, não na da Câmara.

Na Câmara, não há nenhum voto anulado sub judice para deputado federal em MS. Por isso, qualquer que seja a decisão do TSE sobre Jamilson, as oito cadeiras federais não serão recalculadas.

O caso respinga apenas na política. A federação PP-União, a mesma de Jamilson, fez duas cadeiras federais com Rose Modesto e Dagoberto Nogueira. Na Assembleia, onde o efeito é real, a validação dos votos dele tiraria uma vaga do PL e daria mais uma à federação. Os detalhes estão na matéria sobre a nova composição da Assembleia Legislativa.

Fonte dos números: TSE, resultados oficiais de 4 de outubro de 2026, totalização com 100% das seções.

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