Empregados rejeitaram proposta de acordo coletivo; Saúde Caixa, valorização profissional e condições de trabalho estão entre os principais pontos de conflito
Os empregados da Caixa Econômica Federal em Mato Grosso do Sul iniciam nesta quinta-feira (10) uma greve por tempo indeterminado, em meio ao impasse nas negociações entre a instituição financeira e os representantes dos trabalhadores.
A paralisação foi aprovada após a categoria rejeitar a proposta apresentada pela Caixa para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico e da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). A decisão foi tomada em assembleia realizada nos dias 3 e 4 de setembro.
Em Mato Grosso do Sul, o movimento é coordenado pelo Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região, cuja base territorial reúne a Capital e outros 27 municípios. A expectativa é de impacto principalmente sobre o atendimento presencial nas unidades da Caixa, embora a dimensão efetiva da paralisação dependa da adesão dos empregados.
Rejeição à proposta abriu caminho para a paralisação
A proposta apresentada pela Caixa foi rejeitada por 87,59% dos empregados que participaram da votação na base sindical de Campo Grande e região.
Na mesma assembleia, a categoria decidiu pela retomada das negociações ou pela deflagração da greve. Posteriormente, o sindicato formalizou a comunicação da paralisação, seguindo os procedimentos previstos na legislação que regulamenta o direito de greve.
O cenário foi diferente entre outras instituições financeiras. Na mesma votação, a proposta negociada para os bancos privados recebeu 72,12% de aprovação, enquanto o acordo do Banco de Brasília foi aprovado por unanimidade e o do Banco do Brasil teve 51,72% de aprovação.
Saúde Caixa está no centro das reivindicações
Um dos principais pontos de divergência está relacionado ao Saúde Caixa, plano de assistência médica destinado aos empregados da instituição.
Os trabalhadores reivindicam mudanças que, segundo o sindicato, garantam maior sustentabilidade ao plano sem transferir uma parcela considerada excessiva dos custos para os empregados.
A pauta também envolve valorização profissional, melhores condições de trabalho e questões relacionadas à Funcef, fundo de pensão dos empregados da Caixa.
Outro ponto levantado pelos representantes dos bancários é a política de remuneração. Segundo o sindicato, a categoria considera insuficiente a proposta de reposição da inflação pelo INPC acrescida de ganho real de 0,6%.
Sindicato orienta clientes antes da paralisação
Na véspera do início da greve, o Sindicato dos Bancários de Campo Grande e Região orientou os clientes que dependem de atendimento presencial a anteciparem, quando possível, suas operações.
O diretor da entidade, José dos Santos Brito, afirmou que a previsão é de paralisação das agências da Caixa em Mato Grosso do Sul a partir desta quinta-feira.
A paralisação poderá atingir usuários que precisam realizar operações que dependam diretamente dos funcionários das agências. Serviços digitais e canais eletrônicos, por sua vez, permanecem como alternativas para operações bancárias que possam ser realizadas remotamente.
Ainda assim, a extensão dos impactos dependerá do nível de adesão dos trabalhadores e da duração do movimento.
Digitalização também entra no debate
Além das questões salariais e do plano de saúde, os trabalhadores colocam em discussão o processo de transformação digital do sistema bancário.
O sindicato afirma que o avanço da digitalização, acompanhado de investimentos em tecnologia e redução da estrutura física, tem contribuído para o fechamento de agências e para a diminuição de postos de trabalho.
Para os representantes da categoria, o processo precisa ser acompanhado de medidas capazes de preservar condições adequadas de trabalho e atendimento à população.
Caixa diz que mantém diálogo com empregados
Procurada sobre a paralisação, a Caixa Econômica Federal informou que mantém aberto o diálogo com as entidades representativas dos empregados.
Em posicionamento divulgado à imprensa, o banco afirmou que continua empenhado na construção de uma solução para a renovação do ACT e da CCT, tendo como parâmetros a valorização dos trabalhadores, a sustentabilidade da instituição e a continuidade dos serviços prestados à sociedade.
A instituição, entretanto, não confirmou uma nova rodada de negociações antes do início da paralisação.
Greve começa sem prazo para terminar
A paralisação em Mato Grosso do Sul está oficialmente prevista para começar em 10 de setembro e não tem prazo determinado para encerramento.
O sindicato realizou uma plenária na quarta-feira (9), em Campo Grande, justamente para organizar os procedimentos relacionados ao movimento grevista.
O desfecho dependerá da evolução das negociações entre a Caixa e as entidades representativas dos trabalhadores. Enquanto não houver acordo, os empregados mantêm a mobilização e as agências poderão enfrentar alterações no atendimento presencial em diferentes municípios do Estado.
A situação merece atenção especialmente porque a Caixa exerce papel relevante na prestação de serviços bancários e na operacionalização de programas públicos, fazendo com que uma paralisação prolongada possa repercutir diretamente sobre milhares de usuários em Mato Grosso do Sul.
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