Dados do TSE mostram que Brasil terá mais de 158,7 milhões de pessoas aptas a votar em outubro; jovens e eleitores de baixa renda registram maior taxa de abstenção
O eleitorado brasileiro chega às Eleições Gerais de 2026 mais numeroso, mais envelhecido e mais diverso. Segundo dados consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 158.745.463 brasileiras e brasileiros estão aptos a votar no pleito de outubro.
As mulheres permanecem como maioria entre os eleitores. São 83.877.126 eleitoras, o equivalente a 52,84% do eleitorado nacional. Em 2022, elas representavam 52,65% dos aptos a votar, o que demonstra uma ligeira ampliação da participação feminina no universo eleitoral. (Justiça Eleitoral)
O perfil etário também revela uma transformação estrutural do eleitorado brasileiro. Embora as faixas adultas ainda concentrem a maior parcela dos votantes, o peso das pessoas com 60 anos ou mais aumentou nos últimos anos, acompanhando o processo de envelhecimento da população brasileira.
A mudança tem consequências diretas para a disputa eleitoral. Com uma parcela cada vez maior do eleitorado formada por pessoas mais velhas, temas como saúde, previdência, assistência social, mobilidade urbana, segurança, medicamentos e qualidade de vida tendem a ganhar ainda mais relevância nas plataformas dos candidatos.
O fenômeno não significa, entretanto, uma redução da participação política da população idosa. Ao contrário: o eleitorado mais velho continua representando uma parcela expressiva do contingente de cidadãos habilitados a participar das decisões políticas do país.
Pela legislação eleitoral, o voto permanece facultativo para pessoas com mais de 70 anos. Já os eleitores com 60 anos ou mais possuem prioridade no atendimento durante a votação, com precedência ainda maior para aqueles com mais de 80 anos. (Justiça Eleitoral)
Jovens ainda são um desafio para a participação eleitoral
Enquanto o Brasil envelhece, a participação proporcional dos eleitores mais jovens apresenta movimento inverso.
Entre os eleitores de 21 a 34 anos, a participação no conjunto do eleitorado caiu de 28,01%, em 2022, para 25,85% em 2026. Entre adolescentes de 16 e 17 anos, faixa em que o voto é facultativo, também houve retração na emissão de títulos eleitorais.
O fenômeno coloca novamente em discussão o desafio de aproximar as novas gerações da política institucional.
Especialistas apontam que fatores como ambiente familiar, participação comunitária, identificação com pautas políticas e influência das redes sociais podem exercer papel relevante na decisão dos jovens de obter o título e participar das eleições.
A questão ganhou ainda mais importância diante do peso que as plataformas digitais assumiram na formação da opinião pública. Para partidos e candidatos, conquistar o eleitor jovem significa não apenas disputar seu voto, mas também dialogar com uma geração que consome informação política de maneira diferente das gerações anteriores.
Vulnerabilidade econômica pode influenciar participação nas urnas
O perfil socioeconômico do eleitorado também ajuda a explicar os diferentes níveis de participação política no país.
A concentração de eleitores de menor renda, especialmente nas regiões mais vulneráveis e nas periferias dos grandes centros urbanos, coloca em evidência um problema que vai além da preferência eleitoral: as condições materiais podem interferir na capacidade de participação política.
Distância até os locais de votação, dificuldades de transporte, jornada de trabalho, responsabilidades familiares e falta de recursos são alguns dos fatores que podem contribuir para a ausência às urnas.
O desafio, portanto, não se resume a estimular o cidadão a votar. Para ampliar efetivamente a participação democrática, políticas públicas precisam enfrentar as barreiras que dificultam o exercício desse direito, especialmente entre os segmentos socialmente mais vulneráveis.
Cadastro eleitoral revela um país mais diverso
Outro aspecto que chama atenção nas estatísticas de 2026 é o avanço dos registros relacionados à identidade étnico-racial.
O eleitorado que se autodeclara pardo passou de 8.503.206 registros em 2024 para 16.945.954 em 2026. Entre pessoas que se autodeclaram pretas, o número passou de 1.808.529 para 3.586.952.
Também houve crescimento entre eleitores autodeclarados brancos, que passaram de 5.292.130 para 11.691.204. O número de eleitores autodeclarados amarelos passou de 114.389 para 229.540.
Entre os indígenas, o eleitorado passou de 155.661, em 2024, para 287.157 em 2026, crescimento de 84,47%. (Justiça Eleitoral)
Os números, porém, precisam ser interpretados com cautela. O próprio TSE destaca que as informações de raça e cor são autodeclaratórias e que o preenchimento desses dados vem sendo ampliado gradualmente desde a implantação dos novos campos no cadastro eleitoral.
Assim, o crescimento registrado entre 2024 e 2026 não representa necessariamente aumento demográfico de cada grupo na mesma proporção. Parte significativa da variação decorre da qualificação do cadastro eleitoral e da ampliação do número de pessoas que passaram a declarar sua identidade étnico-racial. (Justiça Eleitoral)
O mesmo processo contribui para tornar o retrato estatístico do eleitorado brasileiro mais próximo da diversidade existente na sociedade.
Eleitorado indígena e quilombola também cresce
A diversidade do eleitorado aparece ainda no aumento dos registros de pessoas indígenas e quilombolas.
O eleitorado indígena chegou a 287.157 pessoas em 2026, contra 155.661 nas eleições municipais de 2024. Já o eleitorado quilombola praticamente dobrou no período, passando de 95.409 para 188.371 eleitores, uma alta de aproximadamente 97%. (Justiça Eleitoral)
No caso indígena, o crescimento também apresenta forte concentração regional. O Norte reúne aproximadamente 47% do eleitorado indígena brasileiro. No Centro-Oeste, região que inclui Mato Grosso do Sul, o número de eleitores indígenas passou de 25.404, em 2024, para 40.804 em 2026.
Os dados reforçam a necessidade de que as campanhas eleitorais considerem uma sociedade marcada por diferenças regionais, culturais, econômicas e demográficas cada vez mais evidentes.
Recorde de eleitores com deficiência
As Eleições 2026 também terão o maior número de eleitores com deficiência já registrado pela Justiça Eleitoral.
Segundo o TSE, 1.963.551 pessoas com deficiência estão aptas a votar, número 42,5% superior ao registrado nas Eleições Gerais de 2022, quando eram 1.377.787 eleitores.
O crescimento do eleitorado foi acompanhado pela ampliação da estrutura de acessibilidade. O número de seções eleitorais principais com acessibilidade passou de 156.296, em 2022, para 223.587 em 2026, aumento de 43%. (Justiça Eleitoral)
A evolução demonstra que a inclusão eleitoral não depende apenas da existência do título de eleitor. Ela exige condições concretas para que o cidadão possa chegar à seção, acessar a urna e exercer seu voto com autonomia e segurança.
Um eleitorado que já sinaliza as prioridades da eleição
Os números divulgados pelo TSE oferecem mais do que um retrato estatístico do eleitorado. Eles ajudam a antecipar os principais desafios que candidatos e partidos enfrentarão nas Eleições 2026.
O Brasil chega ao novo ciclo eleitoral com mais mulheres do que homens entre os votantes, uma população eleitoral progressivamente mais envelhecida, desafios de participação entre os jovens e um cadastro que registra maior diversidade étnico-racial e inclusão de pessoas com deficiência.
Esse cenário tende a produzir efeitos sobre a própria agenda eleitoral. Saúde, envelhecimento, previdência, inclusão, acessibilidade, emprego, renda, educação, segurança e políticas específicas para juventude deverão disputar espaço em um eleitorado cada vez mais heterogêneo.
Mais do que contar votos, as estatísticas do TSE revelam, portanto, quem são os brasileiros que estarão diante das urnas em outubro — e quais transformações sociais já estão moldando a próxima disputa pelo poder no país.
Fonte principal: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com dados oficiais do perfil do eleitorado das Eleições 2026. (Justiça Eleitoral)
Se essa matéria for para portal de notícias, eu recomendaria ainda transformar o título em uma chamada mais forte, criar um subtítulo jornalístico (linha fina) e acrescentar um box com os principais números das Eleições 2026, o que deixaria a publicação com aparência de matéria de veículo nacional.
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