A ausência frequente de um estudante passou a ser tratada pela rede estadual de ensino de Mato Grosso do Sul como um sinal que precisa ser investigado antes que se transforme em abandono escolar.
Na Escola Estadual Maria de Lourdes Areias, em Campo Grande, professores acompanham diariamente a frequência dos alunos. Quando as faltas começam a se repetir ou há mudanças no comportamento, a equipe procura a família e, em determinadas situações, realiza visitas domiciliares.
A estratégia integra as ações de Busca Ativa Escolar desenvolvidas pela rede estadual para identificar as razões que levam estudantes a se afastarem das salas de aula.
Entre os motivos identificados estão dificuldades familiares, problemas de saúde, questões emocionais e situações de vulnerabilidade social.
A proposta é agir antes que a sequência de faltas resulte em abandono definitivo.
Rede de proteção
Nos casos que exigem acompanhamento mais amplo, a escola pode acionar órgãos como Conselho Tutelar, Ministério Público e outros serviços da rede de proteção.
A política também considera que as soluções precisam levar em conta a realidade de cada estudante. Em determinadas situações, pode ser necessário reorganizar a rotina, buscar outra unidade escolar ou articular diferentes serviços públicos.
A participação dos próprios estudantes também vem sendo estimulada.
Em 2026, eleições para grêmios estudantis envolveram 344 escolas e aproximadamente 169 mil alunos. Outra iniciativa, denominada Estudantes no Controle, busca capacitar jovens para identificar problemas dentro das próprias escolas e apresentar propostas de melhoria.
A estratégia parte de uma premissa simples: uma cadeira vazia repetidamente pode representar muito mais do que uma falta registrada no sistema. Pode ser o primeiro sinal de que um estudante está enfrentando dificuldades que precisam ser compreendidas pela escola e pela rede de proteção.
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