Ribas do Rio Pardo transforma expansão da celulose em empregos, qualificação e novos investimentos

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Industrialização alterou mercado de trabalho e aumentou a demanda por moradia, saúde, educação e infraestrutura

A transformação econômica provocada pela expansão da indústria de celulose já mudou profundamente a realidade de Ribas do Rio Pardo, no interior de Mato Grosso do Sul. A cidade passou a conviver com uma nova dinâmica de empregos, investimentos, circulação de pessoas e demanda por serviços públicos.

Um dos exemplos dessa mudança é a trajetória de trabalhadores que encontraram na formação técnica uma porta de entrada para o novo mercado criado pela expansão da atividade florestal e industrial.

O processo ganhou velocidade durante a construção da fábrica da Suzano, quando mais de 10 mil trabalhadores chegaram a atuar no canteiro de obras. Com a unidade em funcionamento desde 2024, o perfil da mão de obra mudou e cerca de 3 mil pessoas passaram a atuar nas áreas industrial, florestal e logística.

A mudança ocorreu em um município cuja população estimada é de aproximadamente 24 mil habitantes, ampliando a pressão sobre setores como habitação, comércio, educação, saúde e mobilidade urbana.

Somente em 2025, a indústria contabilizou saldo de 1.120 novos empregos formais em Ribas do Rio Pardo. Considerando todos os segmentos da economia, foram 875 postos líquidos criados.

A cadeia produtiva também ganhou relevância. No mesmo período, a operação da Suzano movimentou aproximadamente R$ 2 bilhões em negócios com 503 empresas fornecedoras.

O crescimento, entretanto, trouxe desafios proporcionais à expansão econômica.

Para atender trabalhadores vinculados às operações industriais, florestais e logísticas, foram construídas 954 moradias. Paralelamente, Estado e município iniciaram a implantação de 100 casas populares destinadas à população que não necessariamente possui vínculo com a indústria.

Na educação, uma nova unidade da Escola Estadual Maria Ramos foi planejada com 20 salas e capacidade superior a 2 mil estudantes. Na saúde, o hospital municipal ampliou sua estrutura e passou a integrar a rede estadual de atendimento em trauma ortopédico.

A qualificação profissional tornou-se outro eixo estratégico.

Até o final de 2025, cerca de 3,3 mil pessoas haviam participado de ações de capacitação realizadas em parceria com o Senai e outras instituições. A Casa do Trabalhador também ganhou protagonismo: em 18 meses, registrou mais de 25 mil atendimentos, promoveu dezenas de feirões de emprego e encaminhou milhares de pessoas para oportunidades.

A demanda das empresas, contudo, ainda supera a oferta de profissionais em determinadas áreas. Motoristas habilitados nas categorias D e E estão entre os trabalhadores mais procurados.

A infraestrutura também acompanha o novo ciclo econômico, com obras de pavimentação, drenagem e melhorias nos acessos ao polo industrial.

O desafio de Ribas, portanto, deixou de ser apenas atrair grandes investimentos. A nova etapa consiste em transformar a expansão industrial em desenvolvimento sustentável, com empregos duradouros, qualificação profissional, serviços públicos capazes de acompanhar o crescimento e melhores condições de vida para a população.

A experiência do município tornou-se um exemplo dos efeitos provocados pela industrialização acelerada: a fábrica movimenta a economia, mas o desenvolvimento exige que toda a cidade consiga crescer na mesma velocidade.

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