Equipe responsável pela intervenção encontrou funcionários alocados em imóvel que não integra a concessão do transporte coletivo
O Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande, deverá receber aproximadamente R$ 87,5 milhões em recursos públicos ao longo de 2026, enquanto a intervenção municipal apura uma série de situações relacionadas à gestão da concessionária.
Entre os episódios identificados está a manutenção de funcionários em uma garagem particular localizada no cruzamento das avenidas Tamandaré e Euler de Azevedo, no bairro São Francisco.
Segundo a equipe de intervenção, trabalhadores eram mantidos no imóvel, embora a garagem não integrasse formalmente a estrutura da concessão do transporte coletivo.
O interventor-chefe, Aléxandro de Oliveira, afirmou que funcionários foram retirados do local e que o caso será incluído no relatório que será encaminhado à Prefeitura de Campo Grande.
A situação também deverá ser analisada sob a perspectiva do impacto financeiro sobre a concessionária, já que os salários dos trabalhadores eram pagos pelo Consórcio.
A garagem está associada a uma empresa ligada à família Constantino, grupo empresarial relacionado ao controle do Consórcio Guaicurus.
O episódio ocorre em meio à intervenção determinada no sistema de transporte coletivo e às investigações envolvendo a administração da concessionária.
De acordo com os dados apresentados pela Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (Agereg), os recursos públicos destinados ao sistema em 2026 incluem aproximadamente R$ 28 milhões em subsídios municipais para manutenção da tarifa, R$ 10 milhões referentes à renúncia fiscal municipal, R$ 15 milhões repassados pelo Governo do Estado para subsidiar o passe estudantil e cerca de R$ 34 milhões destinados à cobertura da diferença entre a tarifa pública e a tarifa técnica.
O Consórcio Guaicurus contesta a existência de irregularidades na alocação de funcionários e afirma que a gestão de seu quadro de empregados é prerrogativa da própria concessionária.
A empresa também sustenta que as discussões sobre o sistema devem se concentrar no desequilíbrio econômico-financeiro do contrato e na busca de soluções para a continuidade e melhoria do transporte coletivo.
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