PL faz 9 das 24 cadeiras da Assembleia, Puccinelli volta e uma vaga ainda depende do TSE

PL faz 9 das 24 cadeiras da Assembleia, Puccinelli volta e uma vaga ainda depende do TSE

Política

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul terá a partir de 2027 uma bancada do PL com nove dos 24 deputados, a maior da Casa. Com 100% das seções totalizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a federação PT-PCdoB-PV e a federação PP-União Brasil vêm em seguida, com quatro cada.

A renovação foi de oito cadeiras (33%): 16 deputados conseguiram a reeleição. O mais votado foi Zé Teixeira (PL), com 54.080 votos. Entre os novatos está o ex-governador André Puccinelli (MDB), que volta à Assembleia com 40.602 votos.

O resultado, porém, ainda pode mudar. Jamilson Name (PP) recebeu 35.211 votos, mais do que 13 dos eleitos, mas eles foram contados como anulados sub judice. A candidatura dele foi indeferida por decisão individual de um ministro do TSE dois dias antes da eleição, e a defesa recorreu ao plenário da Corte. Se a decisão for revertida, a conta das 24 vagas é refeita, e uma cadeira troca de partido.

Os 24 eleitos

Deputado(a)PartidoVotosSituação
Zé TeixeiraPL54.080Reeleito
Paulo CorrêaPL44.541Reeleito
CaravinaPSDB43.845Reeleito
Zeca do PTPT42.714Reeleito
Coronel DavidPL41.492Reeleito
André PuccinelliMDB40.602Novo
Tiago BotelhoPT39.387Novo
Ângelo GuerreiroPSDB37.704Novo
Gianni NogueiraPL36.108Nova
Odilon RibeiroPL35.905Novo
Gerson ClaroPP35.767Reeleito
Londres MachadoPP33.581Reeleito
Hélio PeluffoPP31.435Novo
Daverson MatosPL30.604Novo
Professora Gleice JanePT29.844Reeleita
André SalineiroPL28.437Novo
Pedro KempPT28.397Reeleito
Lucas de LimaPL26.204Reeleito
Professor Rinaldo ModestoUnião Brasil23.763Reeleito
Marcio FernandesPL23.122Reeleito
Renato CâmaraRepublicanos20.976Reeleito
Lidio LopesAvante20.801Reeleito
Paulo DuartePSDB20.029Reeleito
Pedrossian NetoRepublicanos19.516Reeleito

Para deputado estadual, foram 1.381.806 votos válidos, e o quociente eleitoral ficou em 57.575. O PL somou 448.945 votos, com sete cadeiras pelo quociente e duas nas sobras. A federação PP-União teve 233.708 votos e quatro vagas; a federação PT-PCdoB-PV, 210.407 e quatro; PSDB-Cidadania, 194.851 e três.

O Republicanos fez duas cadeiras com 110.375 votos. O MDB, com 97.989, e o Avante, com 58.092, ficaram com uma cada. Novo, PDT, PSOL-Rede, PRD-Solidariedade, DC e PCO não elegeram ninguém.

Bancadas da Assembleia a partir de 2027, reeleitos e novos

Renovação: oito cadeiras, metade delas no PL

O PL foi o motor da renovação. Dos oito nomes que não estão na atual legislatura, quatro são do partido: Gianni Nogueira (36.108), Odilon Ribeiro (35.905), Daverson Matos (30.604) e André Salineiro (28.437). Os outros são André Puccinelli (MDB), Tiago Botelho (PT), Ângelo Guerreiro (PSDB) e Hélio Peluffo (PP).

O retorno de Puccinelli é o fato político da lista. Ex-governador por dois mandatos, ele foi o sexto mais votado e garantiu sozinho a única cadeira do MDB.

Parte das vagas abertas veio de deputados que deixaram a disputa pela Assembleia:

  • Mara Caseiro (PL) se elegeu deputada federal.
  • João Henrique Catan (Novo) disputou o governo do Estado.
  • Roberto Hashioka (Republicanos) tentou a Câmara dos Deputados e ficou na suplência.
  • João César Mattogrosso (PSDB) não concorreu.

Os demais 16 se mantiveram. Entre eles estão o presidente da Casa, Gerson Claro (PP), e o decano Londres Machado (PP).

As decepções: quatro deputados perdem a cadeira

As outras quatro vagas abertas vieram de deputados que tentaram a reeleição e não conseguiram. Além deles, alguns candidatos tiveram mais votos que vários eleitos e mesmo assim ficaram de fora, por causa da conta das legendas.

  • Jamilson Name (PP), 35.211 votos. Seria o 12º mais votado do Estado, mas os votos estão anulados sub judice. O caso é detalhado mais abaixo.
  • Junior Mochi (MDB), 23.721 votos. Deputado no exercício do mandato e ex-presidente da Assembleia, teve mais votos que cinco eleitos. O MDB fez só uma vaga, ocupada por Puccinelli. A segunda cadeira escapou por pouco: a última vaga das sobras ficou com o PL, com média de 49.883 votos, e o MDB chegou a 48.994. Faltaram 1.777 votos à legenda para eleger Mochi no lugar de Marcio Fernandes.
  • Luiza Ribeiro (PT), 25.472 votos. Primeira suplente da federação liderada pelo PT, teve mais votos que seis eleitos de outros partidos.
  • Professor Marcelo Miranda (PP), 23.112 votos. Primeiro suplente da federação PP-União.
  • Antonio Vaz (Republicanos), 19.101 votos. Deputado no exercício do mandato, ficou atrás dos colegas Renato Câmara e Pedrossian Neto.
  • Lia Nogueira (PSDB), 16.748 votos. Deputada no exercício do mandato, ficou na suplência da federação PSDB-Cidadania.
  • Jerson Domingos (União Brasil), 16.884 votos. O ex-presidente da Assembleia tentou voltar à Casa e ficou na suplência.
Ranking dos candidatos a deputado estadual em MS, com Jamilson Name

O fator Jamilson Name: uma cadeira em jogo

Se o plenário do TSE validar a candidatura de Jamilson Name, ele entra na Assembleia e Marcio Fernandes (PL) sai. A simulação feita pelo Superconectado Notícias com os números oficiais mostra essa única troca.

Como o caso chegou até aqui. O TRE-MS havia deferido o registro de Jamilson por 5 votos a 1. Em 2 de outubro, o ministro Sebastião Reis Júnior, do TSE, reformou a decisão e indeferiu a candidatura, segundo o Campo Grande News. O ministro apontou o envolvimento do candidato com organização criminosa. Jamilson foi condenado em primeira instância a oito anos de prisão na Operação Omertà, sentença da qual ainda cabe recurso. A defesa entrou com agravo para levar o caso ao plenário, segundo o Investiga MS.

O que acontece com os votos. Como o registro estava indeferido no dia da eleição, o TSE classificou os 35.211 votos como anulados sub judice. Eles não entram nos votos válidos nem contam para o partido. Pelo art. 16-A, parágrafo único, da Lei 9.504/97, a contagem desses votos para a legenda depende de o registro ser deferido.

Os dois caminhos possíveis:

  1. O plenário mantém o indeferimento. Nada muda. Os votos continuam nulos, inclusive para o PP, e a Assembleia fica como está.
  2. O plenário defere o registro. A Justiça Eleitoral refaz a totalização. Os votos válidos sobem para 1.417.017 e o quociente eleitoral para 59.042. A federação PP-União passa a 268.919 votos e ganha a quinta cadeira, que vai para Jamilson, o segundo mais votado do grupo. O PL cai de nove para oito, e a vaga perdida é a de Marcio Fernandes, o menos votado da bancada.

Na simulação, nenhum outro partido ganha ou perde cadeira. O Avante ficaria abaixo do novo quociente, mas manteria a vaga de Lidio Lopes pelas sobras.

Simulação: resultado atual e cenário com os votos de Jamilson válidos

A simulação reproduz exatamente o resultado oficial quando aplicada aos números atuais, o que confirma o método. Ela segue os arts. 106 a 109 do Código Eleitoral: quociente eleitoral, quociente partidário e sobras pela maior média, com a barreira de 80% do quociente para partidos e de 20% para candidatos.

Fonte dos números: TSE, resultados oficiais de 4 de outubro de 2026, totalização com 100% das seções.

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