Projeto premiado aposta em recursos visuais, capacitação profissional e protocolos específicos para ocorrências envolvendo pessoas com TEA
A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul desenvolve uma iniciativa voltada a tornar o atendimento de emergência mais acessível e adequado às necessidades de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A proposta utiliza cartões de comunicação alternativa para facilitar a interação entre agentes de segurança, bombeiros militares e pessoas que apresentam dificuldades de comunicação verbal, especialmente durante situações de estresse ou crise.
Idealizado pelo major Willian dos Santos Garcia, o projeto conquistou o segundo lugar na categoria Ideias Inovadoras do Prêmio Sul-Mato-Grossense de Inovação na Gestão Pública de 2025, promovido pelo Governo do Estado por meio da Fundação Escola de Governo (Escolagov).
A iniciativa prevê a criação de um catálogo digital de cartões com recursos visuais que poderão ser acessados por dispositivos móveis. A ferramenta busca ajudar os profissionais a transmitir orientações, identificar necessidades e compreender respostas de pessoas que não conseguem se comunicar oralmente ou que apresentam limitações de interação em determinadas circunstâncias.
O recurso pode ser especialmente relevante em atendimentos nos quais a comunicação convencional não funciona de maneira adequada. Em ocorrências de emergência, ruídos, movimentação intensa e mudanças inesperadas no ambiente podem aumentar a dificuldade de interação para algumas pessoas autistas. O uso de imagens e mensagens objetivas pode contribuir para tornar as orientações mais compreensíveis, embora cada atendimento deva respeitar as características individuais da pessoa envolvida.
A proposta não se limita à tecnologia. A Polícia Militar instituiu uma comissão para elaborar um Procedimento Operacional Padrão (POP) voltado ao atendimento de pessoas com TEA. O planejamento também prevê capacitações presenciais e a distância, inclusão do tema nos cursos de formação e aperfeiçoamento e participação de especialistas, familiares e pessoas ligadas à comunidade autista.
A padronização de procedimentos pode ajudar a reduzir improvisações durante ocorrências e oferecer referências aos profissionais que atuam diretamente com a população. A implementação, entretanto, depende da conclusão dos materiais, da capacitação das equipes e da incorporação das orientações à rotina institucional.
O reconhecimento no prêmio estadual destaca o potencial de soluções desenvolvidas por servidores que identificam dificuldades no cotidiano do serviço público e propõem respostas práticas. Para que a iniciativa produza resultados duradouros, será importante acompanhar sua aplicação, a abrangência das capacitações e a avaliação das pessoas atendidas e de seus familiares.
A proposta representa um passo na discussão sobre acessibilidade na segurança pública: além de responder às emergências, os órgãos responsáveis precisam buscar formas de garantir que a comunicação e o atendimento sejam compatíveis com as necessidades de diferentes cidadãos.
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