Fim da escala 6×1 pode elevar custos em R$ 2 bilhões em MS, estima presidente da Fiems

Economia

Sérgio Longen prevê pressão sobre preços e alerta para possíveis cortes de vagas; impacto dependerá da capacidade de adaptação de cada setor

A mudança nas regras da jornada de trabalho e a ampliação do descanso semanal devem exigir uma reorganização das operações de empresas em Mato Grosso do Sul. O presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiems), Sérgio Longen, estima que a adaptação ao fim da escala 6×1 possa representar um custo adicional de aproximadamente R$ 2 bilhões para a economia sul-mato-grossense em 2027.

Em entrevista ao Campo Grande News, Longen afirmou que a principal preocupação do setor produtivo não se limita ao salário pago aos trabalhadores, mas envolve a necessidade de reorganizar turnos, contratar pessoal e manter o funcionamento de atividades que operam continuamente. Na avaliação do dirigente, parte das empresas poderá tentar compensar as despesas adicionais com reajustes de preços, mudanças nos horários de atendimento ou redução da produção.

A estimativa apresentada pela Fiems é uma projeção do setor empresarial, e não um custo já contabilizado em toda a economia estadual. O efeito real dependerá de fatores como o perfil de cada atividade, a produtividade, a disponibilidade de trabalhadores, os acordos coletivos e as estratégias adotadas pelos empregadores.

Mudança exige reorganização das empresas

A Emenda Constitucional nº 141, promulgada em 16 de outubro de 2026, alterou as regras constitucionais sobre jornada e descanso semanal remunerado. A norma estabelece a redução gradual da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial nominal, e prevê dois dias de repouso semanal remunerado.

A transição está prevista em etapas: após dois meses da publicação, o limite semanal passa a ser de 42 horas; depois de mais um ano, chega a 40 horas. A emenda também prevê a aplicação das regras aos contratos em vigor e estabelece disposições específicas para determinadas situações. A implementação prática deverá observar o texto constitucional e as normas aplicáveis a cada categoria.

Para empresas que dependem de turnos sucessivos, a redução da jornada pode exigir a revisão de escalas, a redistribuição de tarefas e, em algumas situações, a contratação de novos funcionários. Comércio, restaurantes, supermercados, postos de combustíveis e indústrias com funcionamento ininterrupto estão entre as atividades que podem precisar rever sua organização operacional.

Longen afirmou que empresas menores teriam menos margem financeira para absorver os custos de adaptação. Segundo ele, uma das possibilidades seria reduzir linhas de produção ou limitar horários de funcionamento em vez de ampliar o quadro de funcionários. Essas consequências, porém, são riscos apontados pelo dirigente, não resultados inevitáveis da mudança legal.

Debate envolve custos e condições de trabalho

A discussão sobre a escala 6×1 reúne interesses distintos. Representantes empresariais destacam os custos de reorganização e a necessidade de preservar a competitividade; defensores da redução da jornada ressaltam o aumento do tempo de descanso, os efeitos sobre a saúde e a possibilidade de ganhos de produtividade.

Em comunicado divulgado após a promulgação da emenda, o Ministério do Trabalho e Emprego afirmou que a redução da jornada tem potencial para ampliar postos de trabalho em segmentos como comércio, serviços pessoais, turismo e transporte. O ministério também informou que, em dezembro de 2025, 14,7 milhões de trabalhadores com carteira assinada estavam submetidos à escala 6×1, enquanto 29,7 milhões já trabalhavam em regimes de cinco dias de atividade para dois de descanso.

Esses números ajudam a dimensionar o alcance da mudança, mas não determinam, isoladamente, o saldo futuro de empregos. A quantidade de contratações, eventuais demissões e alterações de preços dependerá da resposta das empresas e do comportamento da economia.

Indústria de MS mantém expectativa de investimentos

Apesar das preocupações com a adaptação das jornadas, Longen afirmou manter uma perspectiva positiva para a atividade industrial sul-mato-grossense em 2027. Ele destacou a expansão de empreendimentos ligados à celulose e à agroindústria, além da formação de cadeias de fornecedores e prestadores de serviços em torno das grandes unidades industriais.

O presidente da Fiems também apontou a disponibilidade de mão de obra qualificada como um dos desafios para sustentar a expansão. A entidade, por meio do Senai e do Sesi, desenvolve ações de formação profissional e modernização de estruturas educacionais para atender às demandas das empresas.

O debate sobre o fim da escala 6×1, portanto, deverá avançar junto com a adaptação dos empregadores à nova regra. O impacto econômico projetado pela Fiems será acompanhado de perto por empresas, trabalhadores e autoridades, à medida que os prazos de transição entrarem em vigor.

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