Dívida envolve profissionais contratados como pessoas jurídicas; gestão provisória também negocia medidas para aliviar a sobrecarga das equipes de enfermagem.
A crise financeira da Santa Casa de Campo Grande mantém no centro das discussões o pagamento de profissionais de saúde e a reorganização dos serviços hospitalares. A gestão provisória informou que uma auditoria deverá avaliar a dívida de aproximadamente R$ 32 milhões relacionada a pagamentos atrasados de médicos contratados como pessoas jurídicas.
A iniciativa busca dimensionar os compromissos pendentes e identificar alternativas para quitar os valores dentro das possibilidades financeiras da instituição, inclusive mediante negociações com o poder público, caso seja necessário aporte de recursos.
O débito envolve aproximadamente 300 médicos, segundo as informações divulgadas pela imprensa local. Os atrasos têm provocado preocupação entre os profissionais e alimentado discussões sobre a continuidade dos serviços e a capacidade financeira do hospital.
Auditoria deve orientar negociação da dívida
O gestor provisório da instituição, Luiz Alberto Kanamura, informou que a auditoria já havia sido contratada e que os trabalhos deveriam começar na semana seguinte à divulgação das informações, em 13 de outubro.
A análise deverá contribuir para esclarecer o montante devido, verificar os compromissos financeiros e orientar as negociações para o pagamento. A possibilidade de participação financeira do Estado e do Município foi mencionada pela gestão como uma das alternativas a serem discutidas.
A realização da auditoria, entretanto, não significa que o pagamento integral já esteja garantido. O cronograma de quitação depende dos resultados da avaliação e das condições financeiras e negociais que venham a ser estabelecidas.
Atrasos preocupam corpo clínico
A dívida acumulada está relacionada a serviços médicos prestados por profissionais que atuam por meio de contratos com pessoas jurídicas. De acordo com informações atribuídas ao Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed-MS), os atrasos alcançavam cerca de cinco meses no momento da publicação.
A situação chegou a provocar discussões sobre paralisações e desligamentos de profissionais. A perspectiva de uma nova negociação, porém, contribuiu para que médicos mantivessem a prestação dos serviços enquanto aguardam uma solução.
O cenário evidencia a importância de mecanismos de gestão financeira que permitam conciliar o pagamento dos prestadores, a manutenção das equipes e a continuidade da assistência hospitalar.
Enfermagem também cobra melhores condições de trabalho
Além da questão financeira envolvendo os médicos, a administração enfrenta reclamações sobre a sobrecarga de enfermeiros e técnicos de enfermagem.
Segundo a gestão provisória, parte do problema surgiu após o encerramento do contrato com um laboratório terceirizado. Com a mudança, trabalhadores da enfermagem passaram a executar tarefas de coleta e exames laboratoriais que anteriormente eram realizadas por outra equipe.
O gestor informou que havia negociado a implantação de uma equipe específica de coleta, com a contratação prevista de 13 profissionais. Também foram discutidas medidas relacionadas ao transporte de pacientes, atividade que, conforme as reclamações sindicais, vinha sendo atribuída a trabalhadores da enfermagem.
A reorganização das equipes é relevante para reduzir a sobrecarga e permitir que cada categoria exerça as atribuições correspondentes à sua função.
Solução depende de recursos e gestão
A Santa Casa desempenha papel importante na assistência hospitalar de Campo Grande e da região. Por isso, a solução para os atrasos salariais e para as dificuldades operacionais exige articulação entre a administração, os profissionais, os sindicatos e os gestores públicos envolvidos.
A auditoria poderá oferecer uma base mais precisa para a negociação da dívida, mas a recuperação financeira dependerá também de medidas de controle, planejamento de despesas e definição de responsabilidades.
O principal desafio será transformar as negociações em um plano concreto, com prazos verificáveis e condições que permitam manter o atendimento sem ampliar a insegurança financeira dos trabalhadores e da instituição.
What do you feel about this post?
Like
Love
Happy
Haha
Sad

